📖 story time…
Estávamos na praia de Agios Prokopios, a nadar ao longo da costa, paralelamente à areia, quando de repente… algo nos passa mesmo à frente da cabeça. Uma prancha? Um tubarão? Uma alforreca gigante? Não. Um homem. Um homem morto.
Dois rapazes que estavam mais ao fundo viram-no e arrastaram-no até à areia. Tinha uns 70 anos, completamente inconsciente. Fez-se logo um círculo à volta dele e um dos rapazes começou a fazer manobras de reanimação: compressões no peito, boca-a-boca… e foram-se revezando. Alguém chamou a ambulância.
Ali ao lado, o amigo do senhor (também ele nos seus 70 anos) estava em choque. Disse a uma senhora que ele se chamava Camilo, e todos ficámos ali em silêncio, torcendo para que o Camilo “voltasse à vida”. De vez em quando vinha uma pequena onda e molhava o Camilo, e os homens puxavam-no mais para cima. Parecia que o mar o queria de volta.
Estávamos a ver tudo de perto, sempre a consultar o relógico: já tinham passado 15 minutos desde que tínhamos saído da água. Ninguém desistia, mas o Camilo continuava sem dar sinais. Ninguém sabia ao certo há quanto tempo ele tinha estado dentro de água assim. A ambulância não chegava. O tempo parecia congelado.
E de repente… o Camilo mexe-se.
Primeiro um espasmo, depois uma tosse, e logo alguém o vira de lado. Uma senhora italiana grita: “BRAVO, CAMILO! BRAVO!!”. Nós chorávamos, as pessoas choravam e gritavam de alegria. Arrepio-me toda só a recordar esta história. Aquelas pessoas todas que nunca o tinham visto na vida a lutar por ele e ele voltou. O Camilo voltou.
A ambulância chegou logo a seguir e levou-o. Não sabemos o que aconteceu depois. Ainda procurámos em jornais locais, mas não encontrámos nada. Esperamos que esteja bem. Para nós, a história teve um final feliz.
E sempre que falamos de Naxos, acabamos a contar “a história do homem morto”. Começa sempre assim:
— “Estávamos a nadar e sentimos qualquer coisa a passar à nossa frente. Adivinha o quê…”
As pessoas tentam: uma alforreca, uma prancha, um peixe gigante.
— “Não… um homem morto.”