Roteiro pela Península de Snæfellsnes:
Fiordes do Oeste

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A Península de Snæfellsnes concentra algumas das paisagens mais icónicas do país: montanhas dramáticas, praias de areia negra, penhascos recortados, crateras vulcânicas e aldeias pitorescas. É uma região menos turística que a Costa Sul, mas igualmente impressionante, perfeita para quem gosta de explorar cantinhos com encanto e sem multidões.

🚘 Segue a estrada 574 e a estrada 54 para dares a volta toda à Península!

Este roteiro pode ser feito a partir de Reykjavík, ou como uma continuação da viagem pela Ring Road, vindo do Norte. Dependendo do ritmo e do número de paragens, podes dedicar 1 a 2 dias à península. É ideal para quem quer combinar natureza e vida selvagem. E se estiveres poucos dias, dá para percorrer os pontos essenciais em 420 km num só dia, partindo de Reykjavík.

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    ⚔️ Entrada na Península de Snæfellsnes

    Ao atravessares a Ponte de Kolgrafafjörður, entras oficialmente na Península de Snæfellsnes, uma das regiões mais cénicas da Islândia. Através a Sword Bridge, famosa pelo formato curvo que, visto de cima, faz lembrar uma espada Viking desenhada sobre o fiorde. Claro que quem atravessa de carro não repara no formato, mas não deixa de ser uma zona lindíssima.

    🏔️ Montanha Kirkjufell

    Kirkjufell é provavelmente a montanha mais fotografada da Islândia, mas confesso que, ao longe, não parecia a montanha das fotografias. Só à medida que nos fomos aproximando de carro é que a perspetiva mudou e começámos a perceber o seu formato quase em pirâmide. Com 463 m de altura, destaca-se completamente da paisagem à volta. No inverno, coberta de neve, deve ser ainda mais impressionante. Foi curioso vê-la sem neve, tão diferente da imagem icónica do Game of Thrones, quando o The Mountain aponta para ela e diz ao Jon Snow: “That’s what I saw in the fire: a mountain like an arrowhead.” 

    Mesmo em frente à montanha fica a Kirkjufellsfoss, um conjunto de pequenas cascatas que, com a Kirkjufell em segundo plano, criam aquele cenário clássico de postal que já todos vimos mil vezes na imagem de fundo do Windows.

    O acesso é super simples: estacionamento pago (1000 ISK) mesmo ao lado da estrada, a 100m das cascatas. Há alguns trilhos à volta para explorar, mas a vista mais icónica é mesmo a da montanha alinhada com as cascatas.

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Todo o ano ✅
          • Roteiros possíveis: 5, 10 ou 15 dias
          • Nota: Estacionamento pago: 400 ISK (~3€) para motas e 1000 ISK (~7€) para carros, a 100m da cascata.

    💦 Svöðufoss

    Svöðufoss é uma cascata menos conhecida da Península de Snæfellsnes, mas foi uma das surpresas do dia. Saindo da montanha Kirkjufell, continua ~30km pela estrada 54 e 574 até chegares a Svöðufoss. Fica um pouco escondida no meio da paisagem, o que significa silêncio e zero multidões. Nem a tínhamos marcada no mapa, mas quando a vimos da estrada ao longe, tivemos de ir lá espreitar. A cascata cai sobre uma formação rochosa em degraus, criando várias quedas de água pequenas em vez de uma única queda vertical, o que lhe dá um aspeto muito fotogénico e diferente.

    O acesso faz-se por uma estrada de terra batida que leva a um estacionamento gratuito. A partir daí, segues um trilho pavimentado de cerca de 600 m até à cascata. Pelo caminho há até alguns bancos estrategicamente colocados, perfeitos para parar, sentar e simplesmente apreciar a paisagem, o silêncio, a natureza e aquela sensação de estar longe de tudo.

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Todo o ano ✅
          • Roteiros possíveis: 5, 10 ou 15 dias
          • Nota: Estacionamento gratuito a 600m da cascata.

    ⛪ Igreja de Ingjaldshóll

    Saindo de Svöðufoss, são apenas mais 7 km até chegares à Igreja de Ingjaldshóll, uma das mais fotogénicas da Península de Snæfellsnes. Antes da pequena subida final que leva até à igreja, há vários pontos onde parar o carro à beira da estrada para aquelas perspetivas abertas, com a igreja isolada na paisagem e o cenário à volta a completar o enquadramento.

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Todo o ano ✅
          • Roteiros possíveis: 5, 10 ou 15 dias
          • Nota: Paragem rápida na berma de uma estrada secundária.

    🌋 Cratera Saxhóll

    Continuando pela estrada 574, são mais 14 km até chegares à base da cratera Saxhóll. Aqui estacionas num parque de estacionamento gratuito e, a partir daí, começas a subida até ao topo da cratera.

    Saxhóll é uma cratera vulcânica relativamente recente e com uma forma cónica quase perfeita, daquelas que parecem desenhadas com um compasso nas aulas de EVT. Foi a primeira vez que subi realmente a uma cratera de um vulcão assim “em forma de cone”. Nos Açores sabemos que estamos rodeados de vulcões, mas como são tão largos e suaves, nunca tens bem aquela sensação clara de “estou a subir uma cratera”. Aqui sentes mesmo isso, degrau a degrau, até chegares lá acima.

    O acesso ao topo é feito por uma escadaria metálica com cerca de 400 degraus. Confesso que me custou mais do que estava à espera 😅 Tive de parar 1 ou 2 vezes para recuperar o fôlego… até ao momento em que uma mãe, na casa dos 40, passou por mim a subir tranquilamente com um bebé preso à frente e outro atrás. A partir daí deixei de ser xoninhas e subi seguido até ao fim. A vista lá de cima compensa totalmente: consegues ver o interior da cratera e a paisagem vulcânica da península a perder de vista.

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Todo o ano ✅
          • Roteiros possíveis: 5, 10 ou 15 dias
          • Nota: Estacionamento gratuito mesmo junto à escadaria.

    🌊 Ponte de Pedra de Arnarstapi

    A partir da cratera Saxhóll, continuas cerca de 25 km pela estrada 574, que vai contornando o Parque Nacional Snæfellsjökull. Foi um dos troços mais bonitos do dia: de um lado o mar e praias selvagens (algumas de areia negra), do outro o vulcão Snæfellsjökull, ainda com o pico coberto de neve. No início de junho viam-se perfeitamente os riscos deixados pelos rios de degelo a recortar a montanha, daqueles detalhes mesmo engraçados!

    Chegámos a Arnarstapi, uma pequena vila piscatória que me fez pensar imediatamente: “morava aqui sem problemas nenhuns”. Parece saída de um filme de época: campos verdejantes cheios de flores, casinhas pitorescas, lagos com patos, um pequeno porto, um farol ao longe e um trilho incrível junto às falésias. Ao longo do caminho, passámos por escarpas cheias de gaivotas, com ninhos encaixados nos pequenos degraus naturais da rocha. Ao fundo, ouviam-se os bebés gaivota a reclamar, de forma bastante vocal, que as mães aparecessem com o peixinho do dia.

    A partir do estacionamento gratuito junto ao porto, podes fazer um trilho fácil de ~600 metros até à famosa Stone Bridge, uma ponte de pedra natural esculpida pelo mar ao longo de milhares de anos, formando um arco dramático sobre as ondas. Ou podes continuar mais 1,5 km e fazer o trilho circular completo ao longo da costa, que regressa ao estacionamento. É daqueles sítios onde “vais só ali ver uma coisa” e ficas muito mais tempo do que estavas a contar.

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Todo o ano ✅
          • Roteiros possíveis: 5, 10 ou 15 dias
          • Nota: Estacionamento gratuito no início do trilho junto ao porto.

    ⛪ Igreja Negra de Búðir: Búðakirkja

    Continuando pela estrada 574, são mais 19 km até chegares a Búðir e à icónica Búðakirkja, uma das igrejas mais fotografadas da Islândia. O estacionamento é gratuito e fica mesmo em frente, por isso é uma paragem fácil e rápida.

    A Búðakirkja é uma pequena igreja de madeira pintada de preto, junto de um pequeno cemitério, isolados no meio de um campo de lava coberto de musgo, com montanhas ao fundo e, em dias limpos, vista para o oceano. O contraste do edifício escuro com a paisagem à volta cria um ambiente quase místico. Não é possível visitar o interior mas só por fora já vale a paragem.

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Todo o ano ✅
          • Roteiros possíveis: 5, 10 ou 15 dias
          • Nota: Estacionamento gratuito no início do trilho junto ao porto.

    🦭 Praia Ytri Tunga: a Praia das Focas

    Saindo da igreja, são mais 20 km pela estrada 54 até ao estacionamento junto à praia (900 ISK). A praia fica numa pequena baía abrigada e é um dos melhores pontos da Islândia para observar focas em terra, especialmente na maré baixa, quando sobem para as rochas apanhar sol. Do estacionamento, andas apenas 50 m até à praia e depois podes percorrer cerca de 400 m de costa rochosa à procura das focas.

    Logo ao fim de 200 m, vimos a primeira a nadar, com o focinho de fora, e começámos a avançar silenciosamente pelas rochas, aproximando-nos com cuidado. De repente, um splash! Apareceu outra. Sorrisos de orelha a orelha. Pensávamos nós que nos tinha saído a sorte grande! Ficámos para aí 20 mi em silêncio, só a sorrir, a ver as focas simplesmente a existir.

    Quando finalmente nos cansámos, continuámos mais uns 100m para a direita pelas rochas, e eis a surpresa final: 50 FOCAS! Deitadas nas rochas, super perto de nós, a apanhar os seus banhos de sol! Que sonho!

    De vez em quando, uma coçava-se, outra resmungava com o espaço que a vizinha lhe estava a roubar, muitos bocejos, uma verdadeira cena de Nat Geo Wild! Que maravilha! 😍 Ficámos horas só a desfrutar daquela experiência soberba!

    De vez em quando apareciam outros turistas a tirar fotografias e, apesar da maioria ser respeitadora, alguns deixavam os filhos gritarem e aproximarem-se das focas, o que as deixava em sobressalto, e algumas até fugiam. Até adultos, que deviam ter mais juízo, se aproximavam demasiado. Usem zoom! É uma experiência tão bonita e pode ser ainda mais bonita se respeitarmos. 🙏🏼

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Todo o ano ✅
          • Roteiros possíveis: 5, 10 ou 15 dias
          • Nota: Estacionamento pago (~6€) junto à praia.

    🪨 Colunas Hexagonais de Gerðuberg

    Mais 40 km pela estrada 54, já a sair da península, encontra-se um pequeno desvio de 2 minutos por uma estrada de terra pelo meio de terras lavradas até às “Gerðuberg Cliffs”. O acesso e estacionamento são gratuitos. É melhor visitar de manhã, já que estão viradas a sul e o sol bate de frente nas colunas de basalto, realçando o contraste e as sombras das formações. Infelizmente, visitámos já com sombra, porque passámos horas nas focas (worth it!😅). Mesmo assim, a imponência das colunas hexagonais alinhadas como um muro natural é impressionante, e vale muito a pena parar e caminhar por ali para sentir a dimensão.

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Todo o ano ✅
          • Roteiros possíveis: 5, 10 ou 15 dias
          • Nota: Estacionamento gratuito de terra batida junto às colunas

    🛣️ Desvios opcionais de volta a Reykjavík

    Depois de explorares a Península de Snæfellsnes e começares a regressar a Reykjavík, ainda há alguns desvios que podes fazer se tiveres tempo e não te importares de alongar a viagem. Não fazem parte da Ring Road nem são “must-see” do roteiro principal, mas valem a pena para quem gosta de paisagens vulcânicas e cascatas surpreendentes.

    🌋 Cratera Vulcânica Grábrók

    A cratera Grábrók fica a um desvio de 30 min de carro de Borgarnes. É um cone vulcânico com trilhos curtos e fáceis que te permitem subir até à borda e ter vistas panorâmicas sobre campos de lava e colinas verdes. O trilho principal tem cerca de 1 km de ida e volta, com degraus e pequenas rampas, e é super acessível. Já não tivemos tempo para parar aqui, mas pelas fotografias, parece mais impressionante por dentro do que a cratera Saxhóll. A desvantagem é que fica “fora de rota”.

    Imagem de Satélite do Google Maps.

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Todo o ano ✅
          • Roteiros possíveis: 5, 10 ou 15 dias
          • Nota: Estacionamento gratuito junto à Ring Road

    💦 Hraunfossar & Barnafoss

    Fazendo um desvio de ~50 km para a estrada 518 (~40min) chegas às cascatas Hraunfossar e Barnafoss.

    Hraunfossar é um conjunto de pequenas quedas de água que brotam directamente de entre os campos de lava.
    A água com um tom azul-elétrico a contrastar com a lava negra cria um cenário de outro mundo! Ao lado, Barnafoss é mais enérgica e turbulenta, com água a saltar por um desfiladeiro estreito. Estacionamento gratuito e um trilho de 250 m entre as 2 cascatas permitem ver ambas sem esforço, tornando-as a paragem perfeita antes de regressares a Reykjavík. 

    Infelizmente já eram 22h quando lá chegámos (ir à Islândia no verão, na altura do sol da meia-noite significa que quero ver tudo tudo tudo e não quero ir domir nunca!), então não apanhámos aquele azul elétrico que só surge quando o sol bate mesmo de cima, apanhámos a cascata toda à sombra. Mesmo assim, é lindíssima! Se puderes, vai a meio do dia.

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Todo o ano ✅
          • Roteiros possíveis: 5, 10 ou 15 dias
          • Nota: Estacionamento gratuito a 50m da cascata

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