Leste da Islândia: de Höfn até ao Norte pela Ring Road

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Este roteiro segue de Höfn (Sul) até ao Norte do país, incluindo um desvio à ponta Este, a zona ideal para avistar puffins, e um desvio até ao desfiladeiro de Stuðlagi. Ao longo de cerca de 500 km, a viagem alterna entre estradas costeiras, montanhas escarpadas e vilas no interior do país. A condução faz parte da experiência, com paisagens que mudam a cada curva. Este percurso Sul → Este → Norte faz-se idealmente em 2 dias, com uma paragem estratégica talvez em Egilsstaðir para explorar a região leste com tempo.

Conteúdo do Artigo
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    🏔️Vestrahorn: Aldeia Viking, Montanha Vestrahorn e Praia de Stokksnes

    A partir de Höfn, o Vestrahorn fica a apenas 18 min de carro. Segue pela Ring Road para leste durante cerca de 7 km e depois vira à direita para a estrada de gravilha que leva até Stokksnes. Vais chegar ao Viking Café, que funciona como ponto de acesso à zona.

    Marquei a vermelho o estacionamento junto ao Viking Café, onde podes comprar o bilhete para entrar na área paga. Depois podes fazer de carro o percurso de 2 km que marquei a azul e estacionar num dos parques que assinalei a azul. Se quiseres visitar a Aldeia Viking, estaciona e percorre a pé o percurso de 800m (1,6km ida e volta) que marquei a verde no mapa.

    ⚠️Atenção: não dá para estacionar ali e seguir a pé gratuitamente para a praia de Stokksnes ou para a aldeia viking. Toda esta área é propriedade privada e o acesso é controlado por uma barreira. Em frente ao café o estacionamento é gratuito, mas para entrares (a pé ou de carro), tens de pagar uma taxa de entrada de 1100 ISK/pessoa, que se compra no próprio café ou numa máquina automática junto ao estacionamento. Só depois de passares a barreira é que podes explorar a praia, as dunas e a aldeia viking.

    💡Dica Comodista: Se estiveres a acampar no parque de campismo de Stokksnes, esta entrada costuma já estar incluída.

    🏔️Montanha Vestrahorn

    A Vestrahorn é uma das montanhas mais icónicas da Islândia, conhecida pelos seus picos dramáticos e formas irregulares que parecem saídas de um filme de fantasia. Com cerca de 450 m de altura, ergue-se mesmo junto ao mar e muda completamente de aparência conforme a luz, o céu e o tempo e é um dos locais mais fotografados de todo o país.

    Logo ao lado do estacionamento que dá acesso à aldeia viking, começa um percurso a pé. Mas nem precisas de ir longe: ao fim de uns 100 metros, podes desviar-te em direção à água para um ponto absolutamente épico para fotografar a montanha. Se tiveres sorte de apanhar céu azul, pouco vento e água calma, consegues aquele reflexo perfeito da Vestrahorn que fazem parecer que estás a caminhar sobre a água: o momento Jesus islandês, versão casaco impermeável e botas de caminhada.

    🛡️ Aldeia Viking de Stokksnes

    Esta aldeia viking não é um sítio histórico, mas sim um cenário cinematográfico construído para um filme que acabou por nunca sair do papel. Ainda assim, o cenário já foi usado em várias produções,  incluindo a 2ª temporada da série The Witcher da Netflix.

    Depois de percorreres os 800m desde o parque de estacionamento, encontras um dos destaques: o barco viking em tamanho real, encalhado na areia. Podes entrar, fingir que és um viking ao leme ou o que te fizer feliz. 😅

    Podes entrar nas casas, andar entre as estruturas e tirar fotos à vontade. O cenário faz-te sentir dentro de um filme de fantasia.

    Os entendidos dizem que a aldeia não é uma recriação histórica fiel, mas o cenário encaixa tão bem na paisagem que, honestamente, não me fez muita diferença. Gostei bastante e acabou por ser uma visita divertida e rápida. Vale a pena! 😊

    🏔️ Praia de Stokknes

    A praia de Stokksnes é famosa pela sua areia negra contrastando com a montanha Vestrahorn ao fundo, um cenário icónico. Para completar a paisagem, podes ver passear pelas dunas onduladas cobertas de vegetação e o pequeno farol a sul da praia. Aqui e ali, entre as dunas, aparecem pequenos apontamentos de flores coloridas. Se te baixares ao nível do chão, consegues enquadrá-las com as montanhas ao fundo, mas não esperes campos inteiros em flor.

    ⚠️ Atenção: se já viste fotos por aí com flores violeta a misturar-se com a praia e a montanha, esquece! 😅 Essas imagens são montagens, combinando locais diferentes, tal como acontece com algumas fotos de tulipas na Holanda (já escrevi sobre isso no meu artigo Guia para visitar Keukenhof e os Campos de Tulipas, vale a pena ler para não criares expectativas irreais). Aqui em Stokksnes, a beleza está na areia negra, nos picos da Vestrahorn e no contraste natural, sem Photoshop.

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Todo o ano ✅ mas vale mesmo a pena em dias de céu azul e pouco vento para os reflexos na água.
          • Roteiros possíveis: 10 ou 15 dias
          • Nota: Estacionamento gratuito, entrada paga: 1100 ISK (~7,50€) por pessoa para aceder à aldeia viking, praia de Stokkness, vista panorâmica para Vestrahorn. Se acampares no parque de campismo de Stokksnes, esta entrada já está incluída.

    🏞️ Estrada para Este: Hofn → Egilsstaðir → Hafnarhólmi (colónia de Puffins)

    Quando sais de Vestrahorn, segue a Ring Road ao longo da costa e vais conhecer uma versão da Ring Road muito diferente da que tiveste de Vik a Hofn: conduzes junto à água e às montanhas, passas por vilas pitorescas e, de vez em quando, encontras pequenas áreas de descanso ou mesas de piquenique, como na Hvalnes Nature Reserve Beach, onde parámos para almoçar ao som do mar e dos passarinhos.

    O objetivo é chegar a Egilsstaðir, uma pequena cidade com boas infraestruturas (alojamento, supermercados e combustível), tornando-se um ótimo ponto para pernoitar. A partir de Egilsstaðir, podes visitar os Fiordes do Este, o Stuðlagil Canyon ou seguir rumo ao norte da ilha. Nós seguimos viagem desde Vestrahorn até Hafnarhólmi, onde podes observar os puffins, dependendo do tempo que dediques a apreciar a paisagem e a fazer pequenas paragens pelo caminho.

    🚗 Dica de Condução: a certa altura tens de escolher entre virar para uma ponte e seguir a Ring Road toda a viagem ou então cortar pelo interior pelas estradas secundárias 939 e 95, no troço que marquei a rosa no mapa acima.

    🚗 Estrada 939 e 95 (atalho)

    Se cortares pela estrada 939, apanhas um troço com ~20km de terra batida, com algumas zonas íngremes que tornam o 4×4 útil. Ao convergir com a estrada 95, ainda percorres ~40km  de gravilha e terra batida até chegar a Egilsstaðir.

    A estrada 939 é mais desafiante e a certa altura até me deu alguma insegurança. Mas na estrada 95, a paisagem é incrível: interior rural da Islândia, montanhas com neve no topo e aquela sensação de isolamento e aventura.

    🚗 Ring Road (estrada principal)

    Se decidires virar para a ponte para continuar pela Ring Road, percorres 65km a mais e demoras ~40min a mais, mas a estrada é asfaltada e mais segura.

    No inverno, algumas estradas secundárias podem fechar devido à neve ou gelo e a Ring Road é a tua única hipótese.

    Eu fui pela estrada de terra batida mas, apesar de ter temido em algumas subidas, as paisagens do interior da Islândia valeram a pena!

    📌 Resumo Prático
       • Estrada 1 + 939 + 95
    pelo interior ~70km até Egilsstaðir (1h10)
       • Vantagens: poupas 65km (~40min) até Egilsstaðir, tens paisagens do interior rural da islândia, montanhas com neve a e sensação de estares sozinho na ilha
       • Desvantagens: maioritariamente de terra batida, alguns troços íngremes, 4×4 recomendado, menos seguro, principalmente no inverno.

    📌 Resumo Prático
       • Estrada 1 sempre
    ~135km até Egilsstaðir (1h50)
       • Vantagens: viagem tranquila, estrada asfaltada, segura, não precisa de 4×4, aberta todo o ano
       • Desvantagens: percurso mais longo (65km e 40 min a mais) e menos contacto com o interior rural islandês.

    🦜 Hafnarhólmi: Colónia de Puffins em Borgarfjörður

    De Egilsstaðir, segues pela estrada 94 em direção a Borgarfjarðarhöfn (ou Hafnarhólmi, como também é conhecido), são cerca de 76 km, aproximadamente 1 hora de condução. A viagem de ida e volta tem de ser feita pela mesma estrada.

    A estrada 94 é lindíssima: planícies com campos agrícolas cortados por pequenos ribeiros, ao fundo montanhas ainda com neve e, por momentos, em algumas subidas, parecia que estávamos acima das nuvens 

    Este local é uma das zonas mais icónicas para observar puffins na Islândia. Aqui tens penhascos íngremes, ideais para as aves fazerem as suas tocas, e um ambiente protegido que permite que a população se sinta segura. 

    Chegados ao Estacionamento de Hafnarhólmi (65.53999670334761, -13.7536906564427), só tens de andar 300m, descer uma escadaria em direção ao pequeno cais e voltar a subir até aos passadiços do penhasco onde se encontram os puffins.

    Chegando lá, conseguimos aproximar-nos bastante das aves sem as perturbar. Era incrível assistir a dezenas de puffins a entrar e sair das tocas, a chamar uns pelos outros e a caminhar com aquele ar engraçado, a voar até ao mar e voltar com até 10 peixes no bico para alimentar os filhotes. Existe um passadiço bem definido que permite percorrer a área em segurança, oferecendo vistas fantásticas e oportunidades de fotografia sem invadir o espaço natural destes papagaios do mar.

    💡Curiosidades: os puffins podem voar até 88 km/h, ficam “noivos” para a vida toda e a Islândia abriga cerca de 60% da população mundial de puffins. Hafnarhólmi tem uma das maiores colónias de puffins do país.

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Maio a Julho 📅 Abril e Agosto talvez (espreita o meu artigo “Quando visitar a Islândia” para saberes mais).
          • Roteiros possíveis: 10 ou 15 dias
          • Nota: Estacionamento gratuito a 300m do passadiço. Café e casas de banho ao lado do estacionamento. Muito vento 🍃

    💦 Rjúkandafoss

    Rjúkandafoss é uma paragem rápida mesmo antes do desvio para Stuðlagil. Depois de saíres da ponta leste dos puffins, demoras 1h15 a percorrer os 90km que te levam quase até o desvio para o desfiladeiro. 4km antes, surgem umas cascatas seguidas, entre elas Rjúkandafoss. Quando encontrares uma paragem na estrada, encosta e faz uma pausa para esticar as pernas junto à cascata.

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Todo o ano ✅ 
          • Roteiros possíveis: 10 ou 15 dias
          • Nota: Encosta nos lugares adequados na beira da estrada 4km antes do desvio para o desfiladeiro

    🗻 Desfiladeiro Stuðlagil

    Se te alojares estrategicamente em Egilsstaðir, vais demorar ~1h a percorrer os ~70 km até ao Desfiladeiro Stuðlagil. Se vieres da colónia de puffins de Hafnarhólmi, conta com ~2h de viagem. 4km depois da cascata Rjúkandafoss,  encontras o desvio para o desfiladeiro. A estrada é quase toda de gravilha, estreita, com curvas, alguns buracos e pedras soltas. Um carro normal chega geralmente ao estacionamento do lado oeste, mas um 4×4 dá mais conforto, especialmente se quiseres aceder a outros pontos ou se as condições forem menos favoráveis.

    Fotografias da agência Guide to Iceland

    O Stuðlagil tornou-se famoso pelas suas colunas de basalto únicas e pelo rio azul-turquesa que corre no fundo do desfiladeiro e ficou popular nas redes sociais com estas imagens de drone. No nosso caso, estávamos curtos de tempo e avisaram-nos que as chuvas dos dias anteriores tinham deixado o rio todo castanho. Como era um desvio muito grande e ainda tínhamos de ir para o alojamento no norte da ilha, acabámos por não explorar o desfiladeiro.

    ⚠️ Oficialmente, a estrada 923 está aberta todo o ano, mas no inverno o gelo, a neve e a lama podem tornar a condução difícil ou até fechar a estrada. Verifica o estado em road.is e o tempo em vedur.is antes de partires.

    🥾 Acesso ao desfiladeiro

    O lado oeste do Stuðlagil foi desenvolvido principalmente como miradouro panorâmico. O estacionamento fica a cerca de 300 m da plataforma, de onde tens uma vista de cima do desfiladeiro, mas não é possível descer até ao rio.

    O lado leste permite explorar o canyon de perto. Para lá chegar, é preciso dar uma volta de 7 km de carro, estacionar num parque de estacionamento a 3 km do desfiladeiro e percorrer um trilho de 6 km (ida e volta) até à base do canyon. Aqui consegues ver as colunas de basalto de perto, caminhar junto ao rio Jökla e explorar o interior do desfiladeiro. Marquei o trilho no mapa a vermelho. Este lado é recomendado para quem tem mais tempo e quer uma experiência mais imersiva e aventureira.

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Todo o ano ✅ Mas é possível que a estrada fique perigosa ou intransitável no inverno.
          • Roteiros possíveis: 10 ou 15 dias
          • Nota: Estacionamento pago: 400 ISK (~3€) para motas e 1000 ISK (~7€) para carros (de ambos os lados do desfiladeiro)

    🗻 Útsýnisstaður

    Saindo do desfiladeiro pela estrada 923 e regressando à Ring Road, segue em direção a norte por cerca de 43 km até um pequeno parque de estacionamento assinalado no Google Maps como Útsýnisstaður (White Chair Parking). Este troço da estrada é assustador. A paisagem torna-se cada vez mais crua e dramática, com montanhas escuras, encostas despidas de vegetação e um vale amplo que parece saído diretamente de Mordor. Ajudou à cinematografia o céu estar a ficar escuro e coberto.

    A estrada avança por um cenário inóspito, quase lunar, com tons de cinzento e castanho seco, criando uma sensação de isolamento absoluto. Com a banda sonora certa, torna-se mesmo dark. Autêntico cenário de filme!

    📌 Resumo Prático:
          • Época: Todo o ano ✅
          • Roteiros possíveis: 10 ou 15 dias
          • Nota: Estacionamento gratuito rápido junto à Ring Road.

    Mais 30 km pela Ring Road e deixas oficialmente o Leste para trás. À tua frente começa o Norte da Islândia: um território completamente diferente, com paisagens mais abertas, contrastes ainda mais marcados e uma sensação clara de estar a entrar noutro capítulo da viagem. Um novo mundo para descobrir, e talvez uma das partes mais surpreendentes de toda a roadtrip.

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